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"Odeio o silêncio"



                            "Odeio o silêncio"

         Colhi todas as pétalas que deixaste pelo caminho para que te encontrasse, e agora momentaneamente as pétalas se perderam como um olhar esfíngico pelas sombras do imenso vazio que deixaste por não saber de ti, e nem tenho como saber. Quero-te procurar, mas não sei se estás só, ou se tens alguém. Sei que aceitei, mas não quer dizer que não tema ser surpreendida por algo que pode acontecer ( e que eu sei que vai acontecer).
Quero tanto que me digas um “oi”, ou que digas vai á “merda” em vez de ter o teu silêncio que nem sei o que quer dizer, não sei se quer dizer que me esqueceste, que já seguiste em frente, ou que eu fui um mero acaso.
Estou farta destes saluços que me impedem de falar e de te dizer o que tanto quero dizer mas que o meu coração também impede de o fazer.
Fui contra todos os meus sonhos e hábitos para te ter ao meu lado, não estou a espera que agradeças o que me pagues por ter feito algo que eu quis fazer sem qualquer obrigatoriedade, não quero que me dês algo que não queiras dar, não quero que te sintas obrigado a dar-me amor só porque te dou tudo de mim.
Gosto do que me tornei, mas não sei até quando vou aguentar assim, se eu quero muito mais de ti, se quero mais do que um momento, uma cumplicidade, ou um esconderijo. Mas antes que isso aconteça quero dar-te tudo de mim, para que mais tarde te lembres de mim com um sorriso no olhar.
Até lá so me resta esperar, ligar a ver se tenho um sinal teu ou não.

Desabafos do coração, Cryslove 29 de julho de 2012

"As portas batem"


As portas batiam,
As almas se confundiam.
Todos mudaram,
Foi pouco os que se conformaram.
As portas batem,
As lágrimas caiem.
Um silêncio se faz ou se fez
É uma dor que consome,
E anestesia,
Até parece magia.
Porque não a deixa sentir,
Nem exprimir,
As suas palavras saiem
Como se dardos fossem.
A toda hora sentia cansado, desgastado,
Sem ar, sem amor.
As emoções desapareceram,
As nódoas para sempre permaneceram.
Ela queria falar,
Mas nada conseguia dizer,
Talvez fosse trauma,
Talvez fosse a falta de calma.
Seu corpo ficou imóvel,
Não sabia se devia temer,
Mas tudo parecia incansável.
Ela não sabia o que fazer,
Mas teme o que possa acontecer,
Teme um dia fechar as portas
E não voltar a abri-las.
Teme ser algo que nunca foi.
Dói!
Tudo lhe dói...
Dói-lhe a alma,
Dói-lhe a vida,
Dói-lhe não sentir nada.
Parece insensível,
Instável,
E perdida.
A sua alma tornou-se desconhecida.
As portas batem,
Mas não se fecham,
As almas choram
Lágrima de miragem.
O coração dói,
E chora lágrimas de sangue,
Feridas que não saram
E aumentam de dia pra dia,
Mas ela acredita que um dia.
As portas bateram,
E alguém ficará de fora.
Colectânea de Poemas, "As portas Batem", Cryslove, 17 de Agosto de 2012 


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