"Quem sou eu?"




Fui sabendo quem sou
em cada retrato que esculpi
Fui conhecendo quem sou
Em cada batalha que perdi.

Em cada peça que de mim caiu,
Em cada queda que emiti,
Sempre fugi de mim.

Fui conhecendo o erro,
Em cada erro que cometi.
Deixei de me iludir,
No dia que deixei de cair.

Muito de mim desconheço,
melhor dizendo não conheço.
Já fui fraca,
Muito fraca.

Já andei com uma faca,
Já quis uma arma,
Porque não tinha palavras.
Outrora...

Descobri na poesia,
A magia das minhas heresias.
Na poesia,
So eu sou a Rainha.

Na poesia venço
Batalhas,
Na poesia venço
Traumas.

Na poesia enquanto respirar
Sou mulher,
Enquanto estiver a escrever,
Estou a viver.

Não me conheço,
Muito em mim desconheço.


Colectânea de poemas, 28 de Março de 2012

"Arrivederci(Adeus)"



No silêncio das palavras
Disse adeus,
No olhar do meu coração
Disse tenho saudades.

Não queria ver-vos partir
Não queria ter de dizer arrivederci
Fui obrigada a dizer aos céus
Amo-vos.

No árduo trabalho
que está guardado meu quarto...
Ficou um quarto,
 do que sinto.

Eu não choro,
Eu já não sei chorar,
Prefiro sonhar,
A lagrimejar.

Impedida de chorar
Opto por escrever e cantar,
O quanto gosto de vocês
O quanto quero ir para perto de vocês.

Colectânea de poemas, Até um dia, 28 de Março de 2012

Leave me alone



PORRA! Deixem-me respirar, deixem de cutucar, será que não tenho o direito de estar calada e ficar no meu canto? O meu canto não tem que ser a minha casa, tem que ser aonde me sinto bem. É difícil aceitarem o que eu sou, então não se deem comigo, ninguém tem de esforçar para ser meu amigo, porque até não preciso disso, em quem sempre mais confiei, foi quem mais me desiludi.

Deixem-me ir, não me pressionem, eu sei o que tenho de fazer e o que quero fazer, não tenho de dar satisfação a ninguém. Quem MANDA em mim sou EU!
Deixem-me respirar os vossos escólios só me causam asco e prurido, só falam merda e querem que vos objecte, eu digo que “NÃO” e ainda insistem, será que não tenho o direito de dizer o que PENSO sem ser alvo de bocas, será que não posso ser como sou, amiga, real, arrogante, insensível e culta?

Eu sou o que eu quiser ser e vocês não têm nada a ver com isso, se eu cair do chão não passo, se por dizer a verdade sou invejosa, então que seja INVEJOSA, se por ser eu mesma tenho que ser denominada por superior, então eu sou SUPERIOR a todos vós seus excrementos da sociedade, não tem talento e querem que diga que sim, eu não sou puta mas querem que me aparente como tal? Deixem de sonhar, deixem de me importunar, deixem de me chatear, deixem-me de pressionar. Os princípios que eu tenho, sempre terei porque não vou mudar por ninguém, se sou chata ou estranha ou cheia de mania, têm uma boa solução BAZEM DA DAQUI porque está sou eu e não vou mudar, o que sou hoje é sequela de atitudes que trago da infância!

E não tenho mais nada a acrescentar por hoje!

Desabafo, "Leave me alone", 25 de Março 2012



New story



Li nos escaninhos da tua alma,
O silêncio que regia na minha calma.
Li nos teus olhos,
O que queria escutar nos meus ouvidos.

Sim, quero que pouses no meu coração,
Como uma ave que pousa no seu porto
E que sente-se em casa, quando chega á natureza.
Que nos acarinha de beleza.

Hoje li a tua carta,
Era uma mensagem secreta,
Que deslindei com amargas gotas, 
Porque desconhecia o que nela estava impressa.

Não eram promessas,
Era uma confissão,
Expunha os seus pecados,
E os seus desejos.

As suas intenções,
E as suas frustrações,
Confessava que eu era a eleita
Na sua "seita".

Assassinei as minhas lágrimas
Despejei o meu coração
E pus a caneta na minha mão
E escrevi uma música em contramão.

Apesar de a carta não ter sido entregue no mesmo dia,
Por me sentir fraca com tanta nostalgia,
E porque achei que isto era uma mera fantasia
Mesmo com medo, vou desvendar a segredo.


Colectânea de poemas, " New story", 25 De Março de 2012

Quentinhos sem lareira






A noite estava fria 
E  eu sombria,
Por estar sozinha
Naquele dia.

A noite nada prometia,
Porque um manto cobria o meu tecto
Tecto improvisado
Para não derramar gotas de gelo

Perdi-me pelos confins de mim,
Está tudo igual,
Fujo, mas volto sempre ao mesmo local
O que terei feito de mal??

Tremia-me todo esqueleto
O meu coração estava lento
Como quem quer parar,
Parar de bombear, parar de funcionar.

Não podia adormecer,
Mas adormeci.
Quando acordei, estava lá o rei
Com que um dia sonhei.

Pôs me em tronco nu,
E juntou-me ao seu corpo
Para me dar calor,
Para ganhar cor.

Podia ter gritado,
Fugido,
Mas não, fiquei ali
E novamente dormi.

Acordei já o sol clareava,
Já ele se movimentava
E o vazio, e o frio
Já tinham partido.

Já não queria partir,
Porque sabia que não o veria mais,
Porque quando se sonha,
Sonha-se só uma vez .


Colectânea de poemas, "Quentinhos sem lareira", 25 de Março de 2012

Aprendi a ser feliz


Sou feliz  
Porque já não consigo ser infeliz 
Aprendi a procurar 
o que sempre quis encontrar 
O melhor de tudo
É que aprendi a valorizar
E a encaixotar o que me quer fazer mal
Deixei de chorar por aqueles que só me querem magoar,
Simplesmente deixei de chorar.
Aprendi a livrar-me do mal,
Sim eu rezei,
Mas também mudei
Aprendi a me respeitar
E a cagar para os vermes
Que gostam de ser considerados gentes
Sentes e mentes
A ver se me feres
Com essa dactilografia
Sem arestas nem magia.
Eu mudei,
Eu cresci e hoje sou FELIZ.
Mas a verdade é que nem tudo esqueci
Mas prefiro estar feliz!

Colectânea de poemas, Aprendi a ser feliz, 20 de Março de 2012

Uma Vergonha

Greve geral de 22 de Março de 2012!!!!

Querem calar as nossas vozes á base de PORRADA, querem nos mandar ao chão através do BASTÃO.

Que merda de POLÍTICA é esta que não nos deixa manifestar a nossa INDIGNAÇÃO, que não nos deixa dizer em vós alta o que estamos a SENTIR, que não nos deixa gritar temos FOME porque o GOVERNO só sabe nos ROUBAR, não sabe fazer mais nada do que nós AFUNDAR quando deveria criar planos para os nossos problemas SOLUCIONAR.
Se diminuíssem o vosso MILIONÁRIO salário, haveria dinheiro para nos salvar deste buraco negro que foram  "ELES" que o criaram, mas que como sempre somos nós que temos de PAGAR obrigatoriamente. 

Vamos para a rua LUTAR pelos os nossos direitos REIVINDICAR e o que acontece está á vista de quem quer ver. Pelos visto com a VOZ não chegamos lá, dá-mos VOZ levamos BASTONADAS na cara, dá-mos e somos IGNORADOS. Temos de Mudar, temos que escolher outro método de LUTA.
Temos de PARAR o país, temos que AGIR, e deixar MARCAS da nossa RAIVA.



O que aconteceu nesta manifestação foi VERGONHOSO...

REVOLTA-TE
, o mundo só muda com um GESTO teu(nosso).


"Garanhão ou Cabrão?"



Usam e usurpam
Da delicadeza das mulheres,
Quase que as vendem as colheres,
E acham-se boa rés.

Mergulham e afundam,
No interior da mulher,
Depois de uma noite de sedução
Fazem-na crer na paixão.

Lavam as mãos,
                                        Mudam a canção.                                         
Os colhões estão esvaziados
E o desejo saciado.

Arrumam o engate
E rumam a marte
Para vangloriar e gozar,
De ter ido ao “pito” de uma vítima.

Procuram por sexo gratuito
Não por amor genuíno
Dão pouco por muito
E mais um coração foi agredido.

Cabrão ou Garanhão?
Façam a vossa escolha…

Colectânea de poemas, Garanhão ou cabrão?, 21/03/12

"O meu Destino"




Renasci das cinzas
das folhas que queimei
porque achei por bem
Queimei-as porque tive medo de as ler
De voltar a sentir a dor que quase matou-me
De voltar a chorar por quem me magoou.
Na contradição
De querer fugir,
De querer ficar
Percebi afinal qual era o meu destino
Já estava escrito
e não quis ver,
já estava prescrito
mas tive medo de viver.
Encontrei a poesia no mais intimo de mim,
Encontrei a nos meus tormentos e medos.
Ela curou-me e abraçou-me
Libertou-me...libertou-me de segredos,
E de vinganças.
Libertou-me da minha doença.
Agarrei-me a ti,
e deleitei sobre as minhas maleitas
parecia trabalho arduo das ceitas .
Venci, aceitei,
e estou aqui,
Bem junto de ti,
Por isso sou feliz.
Hoje não queimo,
Guardo para mim e para vós.

"O meu destino", Colectanea de poemas, 14 De Março De 2012

Nova realidade



Os putos gritam para se afirmar,
E não para os condenar,
Todos os dias as leis estão a mudar.
Tudo para na rua nos verem a roubar.

Eles já não estão a aguentar,
A fome está a acumular,
E o dinheiro não está a chegar,
Para a fome da familia alimentar.

Vou vender uns picas
para entrar mais guita
Para a minha casa não ruir
é da única coisa que quero fugir.

A raiva está a aumentar,
A educação de nada está a valer,
Visto que nada temos a perder,
Qualquer dia ninguém nos vai segurar.

Os impostos a aumentar, 
Os transportes a aumentar,
qualquer dia nem a pé vamos lá chegar,
porque nem força há pra andar.

Os miúdos batem com as panelas,
Não para brincar,
Nem para festejar, 
É para alertar que a fome chegou..

Calças rotas de uns
é riqueza,
Calças rotas de outros,
É sinal de pobreza.

Eles não se vão calar,
Porque não têem medo de roubar,
Roubar para comer, 
Roubar para viver.

Hoje estar calado é crime, 
Hoje não lutar é crime.
A crise é de todos 
A fome um dia será de todos.

Hoje tens mas amanha podes não ter, por isso não te cales, não deixes de lutar

Colectânea de poemas, 21 De Fevereiro de 2012 
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