"Sentimos na pele"



Discriminação precária,
Discriminação etária,
Discriminação racial.
Falam sem moral,
E destroem a moral dos outros.
Querem aplausos,
Mas eu só vos dou estalos,
Com a dor dos meus calos.
Falo de mente aberta,
E directa,
Não me quero esconder,
Muito menos algo temer.
Não tenho medo de afirmar a minha diferença,
Não tenho medo de dizer que tenho outra crença.
A cor que tens não é motivo de vergonha,
Vergonha é roubar e ser apanhando,
É ter vergonha de si próprio.
Luta por ti,
Luto pelos teus,
E não te acanhes.
Luto por mim,
Luto pelos meus,
E não tenho medo.
Farta de ver mortes injustas,
Farta de ver juízos de valores injustos.
Não vejo justiça,
E já deixei de crer.
Só vejo violência a ser paga com violência.
Não há respeito,
E só pensam dinheiro.
Para alguns matar é mostrar serviço,
Enquanto para nós significa perder um amigo.
Calam-nos a voz,
Fazem nos querer perder na foz.
Não aguento,
Não aceito,
A dor do preconceito no peito,
Sentimento feio,
Que nem devia aparecer em devaneios.
Eu não vivo, mas sinto.
Falam sem saber,
Criticam o que estão a ver.
Quando eles é que são o maior erro.
Salazar morreu,
Consigo levou a ditadura mais dura,
Mas continuam a ditar regras,
A impor leis.
Já perderam fiéis com estas leis débeis.
Sou a negra mais bela,
E orgulhosa me sinto a viver com ela.
Somos um só povo,
Unido pela diferença.
Calem essas antigas crenças.
Vivam as crenças de hoje,
Que é o respeito e o direito.
O direito de ser livre,
E poder fazer as suas escolhas.
O direito de viver,
Sem críticas preconceituosas.
Respeita as diferenças, porque somos todos diferentes.

Sentimos na pele, Cryslove 24 de Abril de 2010

"Mente insolente"



A minha mente,
Já nem é gente.

A minha mente mente,
Não diz o que vê,
Não mostra o que sente.
Engana o meu querer,
Engana o meu puder.
A minha mente, 
Já nem é crente,

E finge que sente.
Deixas-me demente,
Fico malevolente.
Porque me tiraste o sentimento,
Tornaste me no terror,
Isto não é certo,
Tenho medo.

Medo de ser o que não sou,
Medo de dizer o que não sinto,
E de afectar o meu dom,
Cansei me do silêncio morto
A que me condenaste,
Consagraste me a solidão,
Tornando me numa desilusão.
Eu não sou medo,
Já nem sou denodo.
A força tornou-se nula,
Tornei me sua reclusa,
Incondicionalmente não vejo,
So sinto, 
Mas também não minto.

Sai da pura frieza
Que me congela,

E me tira a beleza.
Vivo este silêncio que me impinge,
Para uma voz calada.
Ela esconde o meu pensamento,
Ela escondeu o meu sentimento,
A minha alma arrefeceu,
Ou se perdeu.
Quem sou eu?

Ou quem fui eu? 
Sei que era...

Já nem me lembro,
Apagou a minha memoria,
Tirou-me a magia.
Quero recuperar, 
Quero ganhar,

Ganhar tudo que me roubaste,
Recuperar tudo que apagaste.
Sei que consigo, 
Porque nunca estive só,

Porque nunca deixei de escrever,
Cada pensamento,
Cada sentimento,

Cada momento.
Não sou repleta de sabedoria,
Mas é por viver da poesia,
Que recuperei a minha harmonia,
Que chorei em dias de melancolia,
Que descobri a minha verdadeira magia.
A mente por vezes mente,
Mas temos de saber lutar com este demente
Que nos pertence,
Mas que por vezes nos enfurece.
A mente não nos pode controlar,
Nos que temos de controlar a mente.
Mente insolente...

"Mente insolente", Cryslove, 2 De Abril de 2010
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